domingo, 31 de março de 2013

Frustração

De palavras, um jogo,
Um jogo de palavras.
No papel, nada além de rimas jogadas fora.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O Egoísmo Condicional Humano

Bom, antes de começar qualquer coisa, quero lembrar que, a não ser que eu cite uma fonte ou diga que estudei alguma coisa, qualquer tese ou conclusão que eu escrever aqui são frutos da minha própria observação e reflexão.
Ou seja, não leve as informações tão a sério e/ou reflita sobre elas por si próprio.

Bom, todo o meu fascínio por ego (inclusive tenho um post pronto só esperando um amigo escrever o dele pra publicar), ou seja, pelo "eu" humano, começou quando eu quis refletir e tentar me auto-analisar, coisa relativamente difícil de se fazer quando você não pode se observar externamente com neutralidade.
Primeiro veio a fase da consciência: eu era muito egoísta e percebi isso.
Depois, a fase da negação: "Não! Eu não posso ser assim, eu devo abandonar essa praga de ego"
E, por último, a fase em que me encontro agora, a da aceitação e (espero eu) da iluminação.

Primeiro, desconsidere os conceitos psicanalíticos de ego. Pense em ego, superego e id como uma entidade só, que eu tratarei no meu texto como ego.
O que o ego é? Por que o ego "é"?
O ego basicamente é o que garante nossa sobrevivência. Ele cuida de nós movido por, pode se dizer que, mero instinto de sobrevivência. Mas não só da nossa saúde cuida o ego, mas também da nossa integridade mental. Bom, resumindo, o ego traduz nossas vontades e necessidades em planos de ação para o cérebro executar e manter nosso bem-estar tanto quanto é possível.

"Tá, você me fez desconsiderar os conceitos psicanalíticos, mas está fazendo uma psicanálise nova? Aff"
Relaxa, era só uma introdução de conceitos que eu preciso pra desenvolver o texto. Lá vai ele:

O altruísmo como é conhecido pela sociedade não é nada além de uma "mentira bonitinha"
"Peraí, quer dizer que minha vida é uma mentira? Você está dizendo que EU e TODA A HUMANIDADE somos 100% egoístas? Aff"
Sim e não. Calma, tudo em seu tempo.

Será que você já parou para pensar porque faz algo "altruísta"? É para a outra pessoa se sentir bem?
"Sim, óbvio, essa é a DEFINIÇÃO de altruísmo... Aff"
Mas será realmente que é pra outra pessoa se sentir bem? Ou será que é só para a sua consciência se sentir bem? Para o seu ego se sentir bem.
Você não deixa de fazer alguma coisa que vai machucar alguém por que vai machucar alguém, você deixa de fazer esta coisa porque o seu ego não quer ficar com a consciência pesada depois.
Consciência pesada ameaça sua integridade mental, e o ego não gosta disso.
Tudo, eu repito, TUDO o que fazemos não é nada além de algo ordenado pelo ego e, como já discutimos antes, o ego só serve para visar o próprio bem. Não pretendo entrar em detalhes, mas só dizer que, enquanto algumas intenções do ego são mais conscientes, outras estão mais profundamente em nossa mente e são mais difícieis de serem percebidas e entendidas.

Esse contraste entre o conceito utópico de altruísmo e a verdade egoísta é o que eu queria negar no começo, pois, obviamente, ser egoísta não era lá a melhor forma de ter uma consciência limpa. Não só isso, pra mim isso anulava todo e qualquer sentido da vida em sociedade. Amigos, família, nada fazia sentido uma vez que o real propósito de ter esses laços era visar apenas nosso próprio bem.

Depois de um tempo ignorando essa terrível descoberta, voltei a pensar sobe o assunto novamente e, quer saber? Eu estava bem com isso! Em minha vida inteira eu fui assim. Em minha vida inteira todos foram assim. Por que minha vida mudaria agora?
Qual era o verdadeiro mal em ser altruísta só para poder massagear o ego? Afinal, todos os envolvidos saíam ganhando. E, acima de tudo, eu percebi que as verdades sobre altruísmo, que eu ora tinha recusado, continuavam sendo verdades. Gentileza gera gentileza, etc. etc. etc.
O mundo não tinha mudado nada, apenas eu percebi que era verdades baseadas em conceitos errôneos, porém, na prática, continuavam verdadeiras.

"Tá, então este post inteiro foi pra me fazer ficar dando voltas em um círculo hipotético? Aff"
Definitivamente, não!
O objetivo desse texto foi desalienar você de conceitos errôneos. Por que? Por que premissas errôneas geralmente levam a mais conceitos errôneos e estes a uma eventual confusão quando eles entrarem em conflito.
Não existe o altruísmo puro que visa o bem alheio, como a humanidade gosta de pensar. A melhor conclusão a que cheguei é que, na verdade, altruísmo é uma manifestação do ego que visa o próprio bem mas, para isso, causa o bem a outras pessoas também, sem segundas intenções conscientes (tipo puxar saco ou fazer favores para que outros te devam favores etc.)

Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para se tornar uma pessoa melhor, e se conhecer inclui compreender como o seu ego se comporta e aprender a controlá-lo.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Sobre amizade: Uma análise numérica

Então tá. Vocês já cansaram de ver eu dissertar sobre esse assunto aqui, mas agora vou de uma perspectiva diferente: Quantidade.
Não quero nem entrar nesse assunto na perspectiva de qualidade vs. quantidade, mas somente quantidade.

Uma coisa que eu sempre quis ter era um porrilhão de amigos, mas mal sabia o problema que poderia trazer.
"Não pode ser uma coisa ruim, pode? Amigo nunca é demais!"
Ah, pode.
Eu conquistei muitas amizades ao longo dos últimos anos e me orgulho muito disso hoje. Gosto de cada um dos meus amigos, de uma maneira ou outra.
"Tá, tudo muito lindo, mas, cadê o problema?"
Por incrível que pareça, é justamente aí que mora o problema: Que tempo eu vou dividir entre todos eles?

Quem já jogou Persona já deve ter uma idéia disso (inclusive foi o jogo que me deu o toque pra escrever este post): Você pode ter quantos amigos quiser, mas o tempo é sempre limitado. Chega uma hora que você tem que escolher entre sair com um amigo ou outro. E outro. E outro.
Chega um momento que você não consegue mais decidir direito e acaba deixando alguns amigos de lado para favorecer outros (mesmo não sendo intencional) e acaba perdendo o contato.

Embora sejam todos meus amigos, não posso me dedicar a todos e perco muitos pelo caminho. Não que eu me esqueca deles, mas apenas que eu não pude dizer "sim" quando fui chamado pra fazer alguma coisa, etc.
Enfim, acabo me sentindo mal por não poder corresponder à amizade de todos e sei que já desapontei muitas pessoas por isso, mas, fazer o quê?

Acho que aqui se aplica aquele ditado que sua mãe dizia pra você não estourar o preço no buffet por kilo: "Quam tem olho maior que a boca" não consegue dar conta de toda a comida no final. Não que os meus amigos sejam comida -q

Enfim, só um pensamento vago, mais um desabafo pra vocês que ainda acompanham o que eu escrevo

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

E se todo dia fosse Natal?

Calma, antes de falarem que é ridíclo, eu não estou louco ainda!
Não estou falando do natal-presentes ou do natal-comida-pra-caramba.

Todo ano chega essa época linda, cheia de magia, todo mundo muito bem, todo mundo muito lindo, programas na TV, mensagens bonitas em todo lugar, etc etc etc.

O famoso espírito de natal.
Época de ser legal com todo mundo, de levar tudo na esportiva e passar o natal em paz.

Tudo muito lindo até agora, mas...

Por que diabos ser bom só UM dia no ano todo!?

Joserfino (personagem puramente hipotético) era um cara muito fino no natal. Cumprimentou todo mundo no ponto de ônibus, amou seus familiares, ensinou coisas boas às crianças da família, confraternizou com estranhos na rua...
Mas, nos 364 dias seguintes, foi um completo babaca no emprego e em casa.

Joserfino, "possuído" pelo "espírito do natal", teve disposição para engolir a arrogância e ser legal com todo mundo. Mas só por um dia.
Isso acontece não por causa de um espírito mágico ou uma época mágica. É apenas mais uma convenção da sociedade, assim como a própria religião que originalmente celebra essa data.
Onde eu quero chegar é: por que não difundir essa idéia para o ano todo? Qual o sentido de consagrar apenas uma data com essa "magia"? Pra que ela pareça ainda mais especial em relação às outras?

Vocês já assistiram algum programa natalino infantil, imagino. Por que essas mensagens de altruísmo e bondade só são passadas nessa época, nesse tema? Os fantasmas de Scrooge, por exemplo. Até hoje não vi um conto que incitasse altruísmo mais impactante que este, que raramente passa fora da época.

Eu sei que é altíssimamente improvável que qualquer pessoa humana aguentaria dia após dia, ano após ano, sem dar um piti na cara de alguém, mas, já não é um começo? Mudar a atitude começa com mudar os hábitos, não vejo como não poderia dar certo.

É óbvio que o que eu to propondo aqui é um caso utópico de eu conseguir enfiar a minha mensagem na cabeça da população toda, mas queria apenas expressar essa idéia. Confesso que, pessoalmente, não acredito que eu consiga influenciar a vida das pessoas mas, bem... Não custa tentar, não é?

Espírito de natal o ano todo!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Sobre cotas raciais/sociais

Então, vamos começar explicando o porquê do post.
Meu amigo, Sr. Andreywat, perguntou minha opinião sobre o assunto, mas como o texto foi aumentando e aumentando e aumentando, resolvi compartilhar aqui no blog -q

Enfim, ele perguntou se eu era a favor ou contra as cotas raciais. Aqui vai o texto:

As cotas raciais (que já é errada por generalizar preconceito racial apenas à raça negra) tem como objetivo sanar a dívida social histórica devido à escravização, certo?
Os escravizadores morreram faz tempo, assim como os escravizados. O que resta, a real "dívida", é a condição precária hereditária associada à raça. Só que, assim como o comum é encontrar famílias de descendentes destes escravos na precariedade, também existem famílias negras que ascenderam socialmente, e não pouco.
Logo, a dívida não pode ser considerada RACIAL, uma vez que há exceção à regra. Afinal, se uma família conseguiu, o que impede as outras de conseguirem? O problema é que essa dívida não deixa de existir, mas a gente já volta a ela.

Aí existe o preconceito, herdado pela sociedade, que prejudica na formação da criança por motivos de: bullyng. Ela passa a acreditar que é diferente e a criar um rancor contra a parte preconceituosa, formando um "bloqueio" de ódio, seja de que forma ele tomar. Esse ciclo de preconceito é o que todo mundo acha que é a "dívida social", mas é só o real problema de preconceito racial contra os negros.

Bom, como deve ser sanada a dívida, então?
Primeiro, dá pra concluir que o fruto da escravização não só é o preconceito, mas a condição precária associada desde o nascimento a estas famílias relacionadas de alguma forma com descendentes de escravos.
O preconceito é algo muito além de sócio-econômico que o governo possa resolver. É algo difundido pela sociedade inteira e que, assim como foi difundida, deve ser eliminada através da cultura. Um exemplo hoje é o Obama dando outro cala-boca nos preconceituosos norte-americanos.
O problema que deve ser debatido então é a segregação social, que não acontece só com famílias negras e já engloba outra parte da população. Cotas SOCIAIS deviam resolver ambos os problemas, mas nunca cotas RACIAIS. Assim como evidenciada nos debates de igualdade sexual, nunca haverá igualdade enquanto houver tanto prejuízos quanto vantagens a uma das partes. O mesmo se aplica à desigualdade racial e também deveria se aplicar à desigualdade social (mas é um caso muito mais complicado e desigual)

Enfim, sou a favor ou contra?
Bom, mesmo caso as cotas sociais funcionassem, tem sempre o problema do governo querer bater sempre na mesma tecla: dar privilégios e não cobrar.
Uma coisa que meu professor de Tecnologia e Sociedade já debateu em sala sobre o bolsa-família:

"De quê adianta o governo dar um benefício todo mês se não cobra nada em retorno do sujeito!?"
Ou seja, o "sujeito" toma o benefício como garantido e o usa como bem entender. Um exemplo que o professor deu foi estipular um prazo máximo de validade do benefício e a obrigação do(s) responsável ou responsáveis pela família de fazer um curso profissionalizante e entrar no mercado.
Então, além de aplicar uma medida corretiva de curto-prazo no problema, o governo também estaria resolvendo o problema a longo prazo. Mas o que acontece é bem o contrário, não?
O bolsa-família é abusado pelos beneficiários do programa, usado como bem entenderem e raramente revertido numa real melhora da própria condição social, passando o problema para a próxima geração da família.

O mesmo acontece com cotas raciais, embora seja muito menos crítico. Afinal, é um dos principais argumentos anti-cotas raciais: pessoas que nunca sofreram de preconceito usufruindo de cotas raciais e pessoas que, sofrendo ou não do preconceito, nunca nem se incomodaram a estudar com afinco por saber que existem as cotas.
Junto com o benefício deveria vir uma cobrança. Um período de jubilamento menor, um limite de matérias reprovadas menos ou algo que balanceasse a vantagem de passar por sistema de cotas. Algo que fizesse o indivíduo que passou por cotas assumir o compromisso com o programa que o beneficiou, que o fizesse digno deste benefício.

Está aí:
Eu sou CONTRA as cotas raciais.
Eu sou A FAVOR das cotas sociais que, embora sejam mal formuladas hoje, são a única medida remediativa dos reflexos da desigualdade social na educação.