segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Eu odeio o feminismo

EU ODEIO O FEMINISMO!!!

Mas, calma! É só o nome do meu travesseiro, que é muito duro e fino :/


- Feminismo em toda sua finesse

Bem na verdade, esse texto não tem nada a ver sobre feminismo, tirando o clickbait óbvio (clickbait pra quem nem divulga o próprio blog).
Na verdade, esse texto tem um pouco mais a ver sobre o nome das coisas.

Assim como eu, em toda minha inocência, quis vir aqui e desabafar o quanto acho meu travesseiro desconfortável, aposto que muitas pessoas (meus 3 leitores) ficarão horrorizadas ou chocadas ou enojadas ou todas as anteriores só de ler o título (e a primeira linha em caps).

Mas isso não é porque essas pessoas ficaram horrorizadas/chocadas/enojadas/t.d.a. por se indignarem pelo meu forte sentimento de aversão ao meu travesseiro. "Ele também tem sentimentos, sabia!?", "Ele te ouve chorando as pitanga todo dia e você ainda diz isso pra ele?" entre outros certamente não são os pensamentos que passaram pela cabeça dessas pessoas.
O que eu vim discutir hoje é uma pouco mais sobre o conceito de denominação do que outros problemas.

Claro, o que me deu a motivação pra desenvolver esse assunto (e o shocker no título) foi o feminismo, mas seria legal entrar um pouco mais a fundo nesse assunto.

Como vocês já devem ter pensado por si mesmos, essa brincadeira de mau gosto foi feita com o propósito de iniciar este assunto de uma forma forte e que acho que todos irão entender (menos as pessoas que odeiam o feminismo de verdade??)
Assim como o meu eu-lírico de hoje acha que Feminismo é o nome próprio que deu ao seu travesseiro, cada pessoa acredita que feminismo é uma coisa diferente. Pode ser muito igual ao que outras pessoas acham que é o feminismo, até em níveis fundamentais, mas quem desenvolve esse conceito na cabeça de cada pessoa é ninguém menos do que ela mesma (pasmem!)

Não, eu não estou escrevendo parágrafos inteiros pra falar coisas óbvias como essas, mas, para falar desse assunto, preciso chegar ao nível fundamental de como nós nomeamos as coisas.
Quando nós éramos crianças, a forma que aprendemos os significados das palavras foi apontando pras coisas e associando um nome a elas. Dramatização:
*aponta para uma maçã* "Vermelho. Ver-me-lho."
*aponta para uma orquídia* "Azul Ardósia Claro. A-zul Ar-dó-si-a Cla-ro"
Enfim, por esse processo não ser igual para todo mundo (e por constantemente atualizarmos esses significados pros nomes), o que você imagina imediatamente quando ouve a palavra "batata" pode não ter a mesma forma e cor do que a imagem que outra pessoa teria.

Conforme vamos crescendo, podemos utilizar palavras mais básicas para ir definindo palavras mais complicadas, mas, fundamentalmente, o processo é tão pessoal quanto o de apontar pras coisas e falar as cores.
O problema que isso cria é que, para denominar conceitos mais complicados, é necessário que todas as pessoas tenham o mesmo conhecimento sobre o que significa esta coisa só de ouvir seu nome.
Até um ponto, esse problema é resolvido de cara pela mera existência de um dicionário aceito por todo mundo. Bateu uma dúvida sobre o que siginfica arbitrário? É só puxar seu dicionário mais próximo ou checar um online que não há mais confusão?

Mas o que acontece quando esses conceitos são mais complicados e necessitam de mais texto do que os dicionários podem colocar em uma página?

E o que acontece quando esses conceitos não muito bem definidos mudam todo dia e são discutidos na "boca do povo"?

E é aí que eu chego ao problema proposto de denominação.

Apesar de haver fontes mais populares, tipo a Wikipédia ou pessoas influentes no assunto, esses conceitos mais complicados são aprendidos, interpretados e conceitualizados de forma diferente por cada pessoa e uma vez que essas pessoas discutem o que o conceito é PARA ELAS, o significado vai mudando cada vez mais.

Falando agora do feminismo mesmo (mas lembrando que isso provavelmente se estende para qualquer conceito), parece que, com a conscientização e crescimento do interesse geral sobre o movimento, mais e mais parece que ninguém sabe o que o movimento realmente é.
Claro, pode haver uma concordância história muito grande sobre o que o movimento FOI, mas hoje em dia é inconfiável, ou no mínimo duvidoso, qualquer informação sendo divulgada pelas redes sociais.
Por que, você pergunta? Bom, antes de parar de ler um texto com aquele "Ahá! Sabia que você era um porco machista desde o começo", leia a próxima seção, por favor.

Com o crescimento do movimento nas redes sociais, qualquer pessoa pode acabar espalhando sua opinião para um grande público. Qualquer pessoa pode, sob o pretexto de ter estudado o movimento ou de ter vivenciado certas experiências, se tornar uma fonte que parece bem convincente para a maioria das pessoas que lerem.
Se houvesse apenas uma fonte, apenas uma definição sendo espalhada e todos concordassem unanimemente sobre o que é o feminismo, não haveria problema nenhum.
O problema é que surgiram várias "vertentes" do feminismo, pois as pessoas que concordavam com uma coisa ou outra passaram a aumentar a influência de tal vertente e a montar grandes grupos de pessoas que cada vez mais concordavam com tudo. Uma panelinha, se você me permitir chamar assim.
E assim surgem várias panelinhas, várias páginas e grupos no Facebook, várias pessoas famosas no Twitter, e cada uma dessas panelinhas diz ser tão Feminismo quanto qualquer outra. Só que acaba que elas são diferentes a níveis fundamentais, e às vezes tão diferentes a ponto de ser ridículo mas, mesmo assim, todas as panelinhas usam o pretexto e a fama do nome "Feminismo" para validar suas ideias e opiniões.

E eu falo muito sério quanto a isso. É muito fácil procurar a opinião das pessoas nas redes sociais e ver centenas delas, todas defensoras do feminismo, discutindo fervorosamente entre si. E a não ser que você não se interesse e nunca tenha pesquisado sobre o assunto, você SABE do que eu estou falando.
Há as feministas que acreditam que homens e mulheres deveriam ser iguais. Há as feministas que acham que homens nem deveriam ter o direito de defender o feminismo. Há feministas que dizem que discordam do feminismo e que defendem um movimento com outro nome. E, como você já deve ter previsto que eu ia dizer isto, também há feministas que acreditam que as mulheres são superiores, as infames feminazis.
Todas essas pessoas confundem o nome feminismo, mas elas provavelmente nunca vão discutir entre si pois, se uma pessoa "equalitarista" vai em uma página "feminazi" para refutar ideias que não concorda, ela será ridicularizada, pois entrou em um grupo fechado de centenas ou milhares de pessoas que têm (quase) a mesma definição de feminismo. O mesmo valeria se fosse o contrário ou qualquer outra combinação de "facções".

Pode ser que isso fosse resolvido se todas essas pessoas fizessem uma pesquisa breve. Talvez então haveria uma definição concreta e unificada do nome Feminismo, mas, infelizmente, as pessoas são preguiçosas. Contanto que elas consigam ter aprovação do círculo social em que vivem, a maioria dessas pessoas nunca vai se incomodar em pensar sobre essas coisas, e vai, então, tachar as pessoas com quem têm conflitos de ideias de não feminista, ou até machista. ou até... blé, isso:

- Nota: Tirado direto de uma página feminista que faz chacota de feministas

Enfim, se eu consegui prender sua atenção até aqui, gostaria de fechar o texto bem. Não com um fechamento super intelectual ou julgador, mas sim com um pouco de tolerância.
Quando você ver alguém falando algo "errado" sobre um conceito (lembrando: não só sobre feminismo), antes de exercer a intolerância e fazer chacota, pense se o que a pessoa está querendo dizer não é a mesma coisa que você pensa, mas com uma confusão de nomes (ex.: #naoprecisodefeminismo). Quem sabe até com uma pequena discussão, ambas as partes não saem mais esclarecidas?

Por enquanto é só, mas gostaria de saber sua opinião sobre isso também, que tal deixar um comentário ali embaixo? ;)

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Sobre conhecimento... Ou a falta dele, sei lá

Opa, quanto tempo!
Não sei se tem alguém que ainda gosta de ler o que eu escrevo, ainda mais sendo que eu nem divulgo mais esse cantinho escuro (mentira, porque faz tempo que eu mudei pra um layout claro (pra você mesmo que veio me pedir no ask.fm!))
Enfim, o que eu escrevo aqui geralmente são opiniões compridas demais ou coisas controversas demais que eu não quero publicar em redes sociais, mas ultimamente o que eu venho escrevendo no blog tem sido controverso demais até para eu querer apertar o botão de publicar haha!

Bom, desculpas à parte, vamos ao que interessa, até porque já faz um tempo que eu to sem escrever e já to ficando até animado com isso.

Sobre conhecimento. Na verdade, é meio que sobre a ausência deste. Bom, vamos ver no que dá.

Esse é um pensamento recorrente na minha cabeça nesses últimos anos, que veio ficando maduro desde então e acho que só atingiu agora aquele ponto eufórico em que eu posso dizer "eureka!"
Se trata sobre o desconhecido, sobre a gama de coisas do qual eu não sei nada a respeito.
Por um lado, eu sempre gostei de aprender várias coisas sobre tudo, e sempre achei que era capaz de entender tudo se eu desse atenção e consideração suficientes. Afinal, se tudo fazia sentido na minha cabeça, então com certeza deveria ser verdade, certo?
Bom, da pior maneira, a vida foi me mostrando que não. De pouquinho em pouquinho, mas sempre, eu tive que ir jogando fora coisas que eu dava por certas, para abrir espaço para novas certezas, novas opiniões e, principalmente, novas incertezas.
Foi aí que eu comecei a me tocar de verdade que existiam coisas que eu não sabia.

Mas, e aí, como é que eu vou saber sobre coisas que eu não sei? Pra começar, como é que eu vou saber que existe algo que eu não sei?
É muito fácil falar sobre o que nós sabemos ou já ouvimos falar, mas é literalmente impossível falar sobre coisas que não sabemos. Ninguém falava sobre o bóson de higgs até alguém teorizar e dar um nome pra ele, assim como nós não falamos de coisas que não sabemos até descobrirmos que ela existe.
Pode parecer pouco, mas isso introduz um problema muito, muito grande:

Nós não sabemos o quão ignorante somos até que seja tarde demais.

O que eu quero deixar claro entre nós é a ideia que não é possível medir a nossa ignorância, ou, em outras palavras, a quantidade de coisas que não sabemos.
Claro que foi fácil chegar à essa conclusão acima uns anos atrás, pois ela fazia perfeito sentido na minha cabeça, certo?... Certo?

... E então se fecha o loop e novamente não é mais possível saber se é possível saber o quanto não se sabe.
Confuso? Bem, deixe-me tentar me explicar:

Esse assunto vem passando na calçada da frente da casa da minha cabeça nos últimos anos meio inconscientemente, mas só veio tocar a campainha quando eu estava pronto pra ter uma perspectiva nova.
Então, pra contextualizar, pela primeira vez na minha vida resolvi deixar de ser amador e me especializar em alguma coisa, que foi a dança. Nisso eu passei um ano inteiro dedicado a estudar uma coisa só, e posso dizer que ainda estou longe de dominá-la, porém abriu uma gama de conhecimentos enorme para mim, coisa que há um ano eu não fazia ideia que era possível!

Antes eu me sentia plenamente capaz com os conhecimentos que eu tinha, que vinham dos estudos na universidade ou dos vários hobbies que eu tentei cultivar. Mas, mesmo assim, só de pensar que havia tanta coisa que eu ainda não fazia ideia que existia, minha cabeça deu algumas voltas só de imaginar:
"Se isso foi só sobre um assunto, quantas coisas será que eu não sei???"

Ou seja, tudo que eu entendo do mundo eu aprendi ao longo de algumas trilhas pelas quais passei na minha vida. Só de pensar em todas as outras trilhas, todos os outros cursos técnicos e superiores,  todos os outros hobbies e todas as outras coisas sobre as quais eu nunca parei pra pensar, só assim eu consegui ter uma perspectiva um pouco maior sobre o quanto eu não sabia.

Bom, se o texto não estiver fazendo efeito ou se você só deu scroll pra ver como o post acaba, tá aqui um TL;DR.
É fácil saber o quanto sabemos. É fácil saber que existem coisas que não sabemos.
Mas é impossível saber quais e quantas coisas não sabemos.
Isso tem até estudos e um nome próprio: Efeito de Dunning-Kruger.
Fica aí a recomendação de um vídeo que eu acho bem interessante e, apesar de tê-lo visto em julho do ano passado, só fui entendê-lo de verdade agora.
VSauce - What is The Speed of Dark? (em inglês, marca em 8:49)

Bom... Conclusão?
Acho que seria "Nunca subestime o conhecimento das outras pessoas. Elas podem até não entender algumas coisas que você entende, mas nada garante que o mesmo não acontece para o seu lado."
É só questão de conseguir se comunicar e trocar novos conhecimentos, só não me pergunte como -q

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Nihon Chronicles part 2 of ?

Bom, to aqui na calada de madrugada, como de costume, pensando sobre várias coisas ao mesmo tempo e bateu aquela saudade de escrever um pouco (que, confesso, faz a atividade de pensar em várias coisas bem mais focada e menos extenuante).
Diabos, bateu saudade de ao menos articular decentemente a minha língua natal ao invés de ficar balbuciando que nem um analfabeto o dia todo... Se bem que, dando-me o devido crédito, acho que já consigo formar conversas decentes com uma criança de 5 anos.

Enfim, senhoras e senhores, segurem suas respirações porque... Tá na hora de eu soprar esse e-pó todo que juntou nessa e-stante... sabe, nesse e-domínio...
É, deixa pra lá, melhor começar de novo.

E aí, gente!
Se vocês queriam saber se eu estou vivo, vim aqui dizer que não só estou vivo como só fui preso uma vez!!! (até agora)

Bom, como tema pra essa segunda (e, se contar o intervalo de tempo médio entre meus posts, a última) parte sobre o Japão, resolvi falar sobre as relações sociais aqui ao invés de ficar falando sobre minha rotina e vida pessoal, como havia falado que faria (nope, não vai ser dessa vez, querido diário).

Indo direto para o que interessa, conforme eu fui melhorando meu japonês, também fui fazendo mais amizades e/ou amizades mais íntimas, que me levou a uma percepção um pouco diferente sobre a sociedade como um todo.
Pelo que eu li pela internet, eu sou um entre milhares de pessoas que passam por essa mesma fase ao se mudarem para o Japão, mas, da mesma forma como esses artigos não me convenciam antes, não acredito que eu vá convencer ninguém assim, de segunda mão.
Mas eu estou só desviando o assunto, vamos aos fatos:

No Japão, você tem basicamente 4 tipos de relações sociais: familiar, amigos do mesmo sexo, amigos do mesmo clube/laboratório/emprego/classe e veteranos/calouros. Sim, são relacionamentos completamente diferentes e é muito raro que eles se misturem. E sim, amigos do sexo oposto são raríssimos.
Não posso dizer muito sobre os relacionamentos com a família por experiência própria, mas sobre o resto acho que já vi/perguntei o suficiente pra ter alguma opinião.
Pulando toda a enrolação e categorização, o seu japonês regular de todo dia tem seus amigos de mesmo sexo de qualquer lugar, seus amigos que entraram juntos no mesmo clube/trabalho/etc. (que compõe um círculo social completo e fechado) e as pessoas que entram antes ou depois nesse mesmo clube/etc.

O primeiro se refere à coisa mais próxima que temos da amizade como a conhecemos no Brasil, porém há uma clara barreira em amizades entre pessoas de sexos diferentes. Num país onde até abraçar alguém em público é um ato meio que desdenhado, as turmas de meninos e de meninas se fecham desde cedo, e ninguém quer ser o primeiro a "atravessar a rua".
O segundo se refere a um tipo de amigo com quem só se compartilha coisas sobre o clube-e-cia em comum. Todo esse círculo social fechado compõe uma grande "entidade", onde todos participam, todos cuidam, mas ninguém se sobressai como um amigo íntimo na frente dos outros. Por mais que sejam bons amigos, o que mais se aproxima disso é o nosso conceito de "colega".
Por último, temos o conceito de amizade menos amigável, o de veteranos/calouros. Enquanto os veteranos têm a obrigação de ensinar e educar os calouros sobre como as coisas funcionam, sejam aulas num clube ou pesquisas num laboratório, os calouros têm a obrigação de demonstrar um respeito inabalável e gratidão pelo favor. Bom, de certa forma, até parece um conceito bom e não tenha dúvidas que isso faz qualquer círculo social ser estável e retrossustentável. Mas o problema é que, por alguma razão que ninguém sabe explicar (vulgo pressão do senso-comum), ninguém nunca deixa esses tratamentos de lado, pois ninguém quer ser um calouro insolente ou veterano indiferente, e isso é a principal barreira que impede pessoas de gerações diferentes de serem amigas.

Para concluir, a sociedade japonesa parece um grande baile de máscaras, muito mais dos que já estamos acostumados a ver na cultura ocidental, onde tudo parece perfeito, mas na verdade verdadeiros amigos são algo tão raro quanto achar leite condensado aqui no Japão. Mas isso também não quer dizer que essas barreiras e inibições não podem ser quebradas, só significa que nenhum japonês bem educado vá tomar qualquer iniciativa para quebrá-las :)

Por fim, tem muito mais coisas que eu gostaria de explorar, tanto consequências do que foi tratado no texto agora quanto outras coisas a mais, mas por enquanto o texto já ficou pesado e eu realmente deveria dormir, por tanto...

じゃ!また今度ねー

PS: Como ainda está faltando no texto, ataque fanboy da vez: http://kotaku.com/you-can-drink-liquid-cookies-in-japan-1665588974

sábado, 31 de maio de 2014

Nihon Chronicles (estrelando 自分) part 1 of ?

Então, como alguns de vocês, meus caros leitores (oi mãe!), já devem saber, atualmente estou fazendo um intercâmbio de 1 ano no Japão.

Digo já de cara que esse é um sonho de longa data, o que é irônico, sendo que outrora já havia implicado a informação em questão desde o início neste mesmo banco (de dados).
Sério, quem acompanhava o blog desde o começo já previa ataques de fanboy sobre coisas japonesas HAHA

Enfim, o que e para que será este texto?
Desde que cheguei no Japão muita coisa nova foi acontecendo, mas com a correria do dia a dia associada a minha notória procrastinação, acabei nem contando nada pra ninguém, o contrário do que havia prometido sobre manter contato e tals. Como eu não sou nem de perto uma pessoa super interessante para transformar o blog num diário pra ficar falando sobre mim e ninguém ler, resolvi não fazer nada do tipo.
PORÉM, como eu continuo com a rotina corrida e procrastinador como sempre, nunca ia achar tempo para conversar com todos (embora eu queira, venham falar comigo também!), então resolvi aglomerar tudo o que eu tinha pra contar de uma vez só... Aqui!


*Orquestra dramática ao som de violinos e atualizações das definições de vírus para enfatizar surpresa*

Mas, ok, vamos aos fatos:
Como eu disse, muita coisa nova foi acontecendo e, não sei se isso realmente é bom, mas eu acabei me adaptando a tudo quase instantaneamente, o que meio que frustrava aquelas expectativas de que seria um mundo completamente diferente e tal. Tanto que às vezes eu até me pego contemplando "... caramba, eu to no Japão, mesmo!" quando vejo algo tipo uma bandeira do Japão ou entro em um sushibar. Me sinto até meio estúpido quando chego a essa conclusão sendo que passei o dia ouvindo e falando japonês haha

Bom, como foi? Comecemos pelo primeiro impacto: Aeroporto de Beijing.
Sim, sei que o aeroporto de Guarulhos não é a melhor comparação e que China não é um país realmente tão rico quanto parece, mas, mesmo passando pelo aeroporto de Madrid, meu primeiro choque foi desembarcar no aeroporto de Beijing.
Parece meio óbvio dizer isso, mas países de primeiro mundo realmente são de outro mundo.
Desde detalhes na arquitetura até esteiras rolantes em todo lugar (sim, esteiras, não escadas) e todo tipo de sinalização bem localizada, iluminada e propriamente estrangeiro-friendly... Aí foi a primeira epifania estúpida: "caramba, eu não to Brasil!".


- Uuuuh, recursos visuais

Perdoem-me por minha "turistês" neste post, mas pra quem nunca viajou por conta própria, eu me sentia esmagado por toda a diferença e o fato de ser responsável pela minha própria viagem, pra variar um pouco.

Ahem, continuando, 36 horas de viagem depois de sair do Brasil, meu segundo choque foi no aeroporto de Haneda, em Tokyo. Pela primeira vez saí da zona de embarque/desembarque e re-emergi no mundo que tem mais do que pessoas com cara de tédio esperando o próximo voo. E foi no país mais estranho de todos.
Minha primeira conclusão foi: "Se nem num aeroporto destinado a estrangeiros eu consigo me virar inglês, é bom eu aprender japonês rápido". Tipo, sério. Tirando pessoas especificas que fazem atividades que envolvem estrangeiros, ninguém fala inglês. Ninguém. Sua sorte depende de encontrar alguém que quer estudar ou já estudou no exterior pra tentar embromar um inglês hahaha
... O que é muito engraçado quando você pensa que metade das palavras contemporâneas do Japão têm pronúncias adaptadas do inglês. Frequentemente eu me pego falando "katakanês" (o famoso japanese engurisshi) na esperança de que alguém entenda (às vezes funciona, ué)~

Voltando ao aeroporto, me deparei com lojas e mais lojas de produtos japoneses. Vending machines em todo canto. Restaurantes japoneses típicos e típicas imitações japonesas de restaurantes estrangeiros. Diabos, até tive que tive dificuldades pra entender que aqui se joga o papel higiênico dentro do vaso sanitário!

- Falando em vasos sanitários, recursos visuais!

Enfim, como eu já esperava do Japão, era tudo diferente, e tudo ia bem... Tirando que pra escolher uma viagem mais barata, acabei chegando dois dias mais cedo do que seria o check-in no dormitório. Como eu sou um cara que gosta de planejar os mínimos detalhes, nem me importei em ver se haveria reservas em um dos dois hotéis do aeroporto. Acabou que ou eu pagava 150 dólares pela diária no hotel mais caro ou dormiria em algum lugar e pegaria reserva no outro hotel no dia seguinte. O que me tornou uma pessoa 300 dólares mais feliz.
Sorte minha que o aeroporto (ou aeroportos em geral, não sei) não fechava à noite, pois passar a noite do lado de fora era uma idéia assustadora considerando o frio que estava e que minha bagagem com meus agasalhos estava quebrada e extraviada em algum lugar na China (como esperado do preço da Air China, não?)
Depois de dois longos dias brincando de "O Terminal", um aluno de um clube da universidade, ICP (International Communications Project), veio me buscar no aeroporto pra me levar no dormitório, e venho participando desse clube desde então (valeu, Kohtaro!).

Pulando a parte de assinar o contrato com o dormitório, conheci então os meus atuais colegas de não-tomar-banho-no-mesmo-horário-nunca. Ou colegas de dormitório, como preferir. Mas a vida no dormitório fica pra um outro post haha ( ...puts, prometi outro post D: )

Continuando no foco dos eventos, não da rotina, minhas primeiras semanas se tornaram uma rotina de ir para aula de japonês, no outro câmpus, na outra maldita extremidade da cidade, gastando uns 40 reais por dia de trem (eu não to nem exagerando).  Aproveitando que a viagem ia ser longa e cara do mesmo jeito, eu e o pessoal do dormy íamos dia após dia a Akihabara, bairro famoso por ser pólo de venda de eletrônicos, e como todos precisávamos comprar uma coisa ou outra, acabamos indo lá várias vezes.
A idéia era: descer da estação, nos separar e tentar pesquisar o maior número de lojas pra decidirmos depois onde compraríamos as coisas. Acontece que, coincidentemente, Akihabara também é um pólo de cultura otaku e coisas estranhas, o que levou minha primeira viagem (e a do Heimer) a várias, repito, várias lojas de hentai. E eu não to nem mentindo quando eu digo que nós realmente tentamos evitar esses lugares, mas tem em todo lugar, disfarçados atrás de títulos pseudo informativos como "Jogos de computador *kanji*kanji*kanji*kanji*, 5º andar". 
Entenda *kanji* como aqueles caracteres chineses assustadores que nenhum humano conseguiu aprender todos. Ou nem ao menos a maioria. Falando sério, existem mais de 50.000 kanjis, dos quais o governo japonês recomenda pouco mais de 2,000 como kanjis usados no dia a dia.

Enfim, minha vida como analfabeto novamente tem se provado tão difícil quanto os tempos em que eu não sabia o que fazer num jogo de RPG por não saber ler inglês. Em off, digamos que continua sendo difícil jogar jogos de RPG em japonês, mesmo conhecendo os clichês desse tipo de jogos haha.
Com sorte, viver em grupo torna tudo mais fácil, e posso ser analfabeto sem medo de entrar num buraco sozinho.
Falando nisso, também devo dizer que o povo japonês faz jus ao estereótipo altruísta. Apesar de não saberem inglês, e nós não sabermos japonês, a maioria das pessoas, não só os empregados de lojas, não desistia de nos ajudar só com essa barreira de linguagem, o que levava a sofríveis e longos esforços de ambas as partes pra fazer tarefas complexas como comprar um adaptador de tomada. Mas, falando sério, fazer um seguro de saúde foi bem sofrível hahahaha

Quanto às pessoas que conheci até agora, tem os 33 BRs novatos, incluindo eu, os 13 BRs-senpai que manjam das parada tudo, o pessoal do ICP, do clube de dança, do laboratório... Enfim, não sei se, como eu disse antes, eu estou me adaptando muito rápido, mas já me sinto perfeitamente em casa, não só pela vida e pela casa em si, mas também pelos amigos que fiz por aqui.


Enfim, não só já deve ter ficado um post extremamente longo pra se ler como também já tomei muito tempo escrevendo. O resto vou deixar pra contar num outro post (me cobrem, senão né)

じゃ、また次回ね!

PS: como não teve nenhum ataque fanboy no post inteir- AI MEU DEUS OLHA ESSE DOMÍNIO .JP EU TO NO JAPÃOOOO

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sobre amor

Há muito tempo venho querendo escrever sobre esse tema, mas nunca encontrei uma maneira objetiva pra abordar o assunto... Mas ainda não achei. Acabou o texto.

Tá isso foi só porque pareceu muito idiota e redundante escrever "até recentemente" depois das reticências, mas, enfim, vamos ao assunto!

Isso foi graças a uma menção que vi no ask.fm de um amigo (que, embora provavelmente nunca vai ler isso, obrigado, Bitte), sobre os três tipos de amor, classificadas numa certa maneira: Philia, Agape e Eros.

Casualmente abri uma nova aba pra começar minha pesquisa e acabei descobrindo que não eram 3, mas 4 tipos em que o amor era classificado: Storge, Philia, Éros e Ágape.
Obviamente, como isso não é nenhum tipo de trabalho de faculdade ou algo do gênero, o que escreverei também vem muito da minha própria opinião e considerações sobre o assunto.

Bom, vamos começar de uma ordem que deixa tudo mais simples, começando por "Storge".
Storge é classificado como o amor fraternal, que vem da convivência. É aquele amor "de fábrica" que geralmente sentimos pelas pessoas mais próximas à nós, que provém de muita familiaridade e costume, como, por exemplo, o amor entre familiares.
Storge é o tipo de afeição que sentimos por algo que, por quanto mais tempo temos próximo  nós, maior é essa afeição. De certa forma, metaforicamente, é como se acostumar com aquele par de sapatos velho que você nunca consegue jogar fora.

Partindo direto pro próximo (calma, acho que tudo vai se encaixar depois (espero)): Philia.
Como o nome já é bem conhecido, acho que o significado já fica bem implícito: Amizade.
Philia é o amor que sentimos decorrente da amizade. De certa forma, acho que podemos dizer que é um "algo a mais" do que o Storge, pois também necessita de familiaridade. O que os diferencia, porém, é a relação igualitária, de dar e receber, com respeito mútuo de ambas as partes, lealdade, etc.
Pode-se dizer, também (e essa é a minha parte favorita), que é o único tipo de amor completamente desnatural que o ser humano não precisa realmente para reproduzir e sobreviver. Pode ter ficado feio do jeito que foi escrito, mas, na minha interpretação, é o único que podemos escolher por vontade própria.
A Philia, do jeito em que eu a interpreto, é aquela que atribuímos a nossos amigos mais próximos e confiáveis, e é essencial para nossa felicidade "espiritual" (se for para chamarmos nossa própria essência de espírito), por ser esolhida por livre-arbítrio.
Porém, como precisamos "escolher", sempre há aqueles que não escolhem nada, ou seja, escolhem a ausência. Provavelmente muitas pessoas passam a vida inteira sem confiar plenamente em alguém, sem experimentar uma única amizade verdadeira.

Agora, Éros. Como também é a deviração de uma palavra grega, alguns já devem saber do que se trata.
Éros é o romance. É o tipo de amor físico que se dá entre amantes. Porém vale ressaltar que esta não tem nada a ver com o instinto de reprodução. Enquanto o instinto diz "quero uma pessoa" Éros diz "quero uma pessoa em particular". Acho que é o mais próximo do conceito de amor mais popularmente difundido hoje em dia. Ou, melhor dizendo, está mais para a paixão, pois se diferencia da Philia pelo fato de que provém de profunda admiração. Coisas como beleza, externa ou "interna", talentos, etc.
Enfim, enquanto os outros tipos de amor que vimos até agora são mais saudáveis, Éros é completamente destrutivo.
Por que? Bom, primeiramente, para sentir uma paixão desse tipo, temos que nos entregar. É como mergulhar no oceano sem nenhum equipamento. Nós vamos sem o peso de um cilindro de ar nas costas, sem uma máscara para ofuscar a visão, mas sempre correndo o risco de não conseguir voltar à tempo para a superfície. Resumindo, assim como talvez seja a experiência mais intensa, pode ser a mais destrutiva também.

Por último, temos o Ágape. E não, não é o livro do Padre Marcelo Rossi.
Não me entenda mal, mas eu já acho que esse tipo de amor é surreal, porém, vamos à descrição dele mesmo assim.
No geral, temos que o Ágape é o amor supremo, daquele que dá sem esperar nada em troca, e ainda continua amando. Em muitos lugares em que procurei, o Ágape está descrito como representação do amor num sentido religioso. Não discutirei sobre isso.
Porém, temos também que, pela definição, o Ágape é de fato o amor supremo romantizado várias vezes em estórias. É aquele amor maduro e platônico (no sentido de não ser sensual) entre dois amantes, ou aquele amor de mãe que se sacrifica incondicionalmente pelos filhos, ou até aquele companheirismo colossal entre amigos que nunca se abandonam (à la Cavaleiros do Zodíaco).
De qualquer forma, para mim, esse tipo de amor idealizado não existe - não por ser ridículo, mas por ser inalcançável. Pode até ser porque eu nunca tenha vivenciado algo assim mas, como disse alguns textos atrás, eu não acredito que exista uma relação de "dar sem receber NADA em troca e continuar amando". Claro, como tudo que é idealizado, podemos sempre nos aproximar do Ágape, mas nunca atingí-lo.

Bom, agora é a parte do texto que junto tudo numa conclusão e tento juntar tudo para bater com a minha opinião geral (e deixar um resumo pra quem teve preguiça de ler o texto todo):
Embora haja 4 classificações de amor, eu acho incorreto DIVIDIR o amor entre estas 4 cartegorias. É possível misturar tudo. O amor que você sente por uma irmã, por exemplo, provavelmente não é só o fraternal Storge, mas também a amigável Philia.
Acredito que seja mais plausível dizer que são 4 qualidades do amor, por que podemos encontrar mais de uma dessas qualidades num mesmo amor, embora eu ainda não saiba ao certo como se encaixaria o Ágape nisso tudo.

Bom, por enquanto a fonte esgotou e, pra variar, fecharei a conclusão precocemente.
Espero que tenham aproveitado a estadia e voltem sempre! (mentira, eu não posto nunca! haha)

じゃまたね!